Sambaqui

Haveria mesmo uma criança crescendo dentro dela? Ao redor dela, diversas mulheres diziam que sim. Ela voltou a se apalpar, tentando descobrir a criança, mas nada havia além do leve intumescimento dos seios. Onde estaria a criança? Naquele lugar atrás dos seios onde batia uma coisa que Jogu gostava de escutar? Não, garantiram-lhe as mulheres. A criança estava mais para baixo, porque quando crescesse mais teria que sair de dentro dela, e não havia como sair de dentro do peito. Do peito só entravam e saíam coisas como o medo, o consolo, a alegria e outras coisas que não tinham nome, como aquele que sentia por Jogu e que até doía de tão boa. No peito também havia aquela batida que ninguém sabia o que era, mas na qual diversas pessoas prestavam atenção, agora que Jogu estava sempre falando naquilo. Também havia outras coisas que entravam e saíam das pessoas, como a raiva, mas ninguém ali acreditava que a raiva pudesse estar dentro do peito - era mais provável que viesse de um lugar que ficava ao lado da cintura. Não é possível acreditar-se que uma coisa como a raiva pudesse habitar o mesmo lugar onde habitava a alegria, de tão diferentes que eram. E as crianças, mesmo não tendo absolutamente nada a ver com a raiva, ficavam, também, próximas à cintura, mas mais para baixo. Samira apalpou aquela parte do corpo e ali não havia diferença nenhuma - como podia ter uma criança ali?