No Tempo das Tangerinas

“Após ver os soldados partirem, Terezinha correu para a casa da sogra, feliz demais para poder falar. As duas se olharam e choraram de puro alivio. Não era como quando chegavam as cartas de Klaus e de Humberto-Gustav. As cartas asseguravam que eles estavam bem, mas ainda estariam, depois de as cartas terem chegado? Com Guilherme era diferente, ele não escrevia cartas, ele estava lá na enfermaria e, por mais febre que tivesse, as duas mulheres sabiam que a malária não mata. Em poucos dias estaria bom,e que importava que ficasse fraco e amarelo por algum tempo? O importante é que ele não embarcara, haveria mais tempo para que o amassem, para que ficassem com ele, a trégua poderia ser grande, talvez ele pudesse ficar ao menos até o filho nascer. Mas a trégua também poderia ser curta, quem garantia qualquer coisa? Demoraria mais um mês, ou dois, ou quanto teto tempo até que os soldados brasileiros tivessem que seguir novamente para a Itália? Ah? Se a guerra acabasse! Lucy Sonne não estava mais se importando que a Alemanha perdesse, o que ela queria era a segurança dos filhos, o fim da guerra antes que algum mal lhes acontecesse. A mãe sobrepujava a patriota, ela esquecia-se do ferrenho orgulho nacional de antes para alegrar-se por seu filho haver contraído malária num momento oportuno,ela, que antes tinha pavor dos surtos de malária.”