“POESIAS MELANCÓLICAS”

A INTRUSA

Teimava em me seguir, eu bem que percebia;...
Tinha gestos gentis, simpática (não bela)
Não queria assustar-me, andava com cautela,
diferente do andar da grande maioria.

Eu sempre recusei fazer-lhe companhia,
embora esta mulher me fosse sentinela
em horas de descanso. Eu não gostava dela
pela insistência atroz com que me perseguia.

Seu nome? Não sabia. Apelidei-a Intrusa.
Eu lhe fechava a porta, exibindo a recusa
em comigo a reter na partilha do lar.

No espelho, certo dia, atrás de mim postou-se...
Quis irritar-me? Sim. Mas disse com voz doce:
- Eu me chamo Velhice e vim para ficar.