Cantares de um vulcão quase extinto


Domingo. Cadeira de balanço.

Vem pra cá... Vai pra lá... e balança... e balança...
Vem pra cá... Vai pra lá... Vem de novo e não cansa.

O cachorro esqueceu da função de latir...
Pobrezinho do cão!... Se enrolou... Foi dormir.

Uma pêndula longa se mexe, tranqüila
tão de leve, que mal se percebe que oscila...

Os chinelos de lã se parecem navios
ancorados, de vez, em soalhos macios...

Trabalhar para quê?... Para quem?... Que pergunta!?
E a preguiça, sem medo, ao bocejo se junta.

Eis que o sol nos cristais inventou o arco-íris...
Faz de conta que o mundo é melhor se dormires...

Vem pra cá... Vai pra lá... e balança... e balança...
Vem pra cá... Vai pra lá... Vem de novo e não cansa.

- Devagar!... Não se apresse!... E a preguiça desanda
num bocejo sem fim, pelo chão da varanda.

Cá por dentro o silêncio, e o silêncio lá fora...
Quem falou não tem voz, pelo menos agora...

A quietude solfeja as canções de ninar
em acordes gentis, sem sair do lugar.