Poesias de Marilda Confortin


Sonidos de nascimento e morte
(MarildaConfortin – jan/2012)

Entrei numa fase sensitiva.
Sinto muito.
... Muito mais que expresso.

Parece sem sentido, mas,
inícios e fins têm o mesmo ruído.

Fecho os olhos.
Recém nasci. Menina.
Minha mãe me nina.

Primeiros sons:
O coração dela batendo
no mesmo compasso da velha cadeira de alanço.
(uma perna mais gasta que a outra)
Tum-tuum, Tum-tuum, Tum-tuum...

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Apurando os sentidos - em Itapuã


Manhãs têm gosto de orvalho.
Pequenos Quixotes lutam contra ondas de espuma.
Crianças: adultos ensaiando tsunamis.


A tarde tem cor de sol.
Garotos pedalando na orla curvilínea.
Adolescentes: homens ensaiando amor com suas magrelas.


A noite tem cheiro de vento.
Enamorados ensaiam pecados nos muros.
A noite ilumina plânctons no mar.
O amor fluoresce no escuro.

(Marilda Confortin - 10ª Bienal do Livro - Salvador - BA - 11/11)

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Bienal

Muita gente falando ao mesmo tempo
e as palavras - mudas
presas nos livros.

(Marilda Confortin - 10ª Bienal do Livro - Salvador - BA - 11/11)

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Praça da Poesia


Primeiros estranhamentos: Jovens poetas manoeldebarrosando insignificâncias.
Últimos entranhamentos: Velhos poetas ainda buscando significados nos signos.

(Marilda Confortin - 10ª Bienal do Livro - Salvador - BA - 11/11)

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Entrevista com escritores

O crítico responde, embasa, enaltece, explica e disseca a palavra
como se fosse rã.
O poeta se esconde, engasga, emudece, extirpa e seca suas tripas
como se fosse lã.


(Marilda Confortin - 10ª Bienal do Livro - Salvador - BA - 11/11)

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Faísca de vida


Fazia tempo que eu não via a lua,
não saia à rua,
não entrava na tua.

É que com o tempo,
o tempo fechou.
a neve caiu
e eu fiquei assim...

a ver navios.

Não fosse o relâmpago dos teus olhos
eu nem lembraria
que um dia existiu céu.

Marilda/abril/2011

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Agonía

(Marilda Confortin - tradução de Vera Vieira)

Saber de la poesia
antes del nacimiento
aún cuando es presentimiento
bajo la piel
en la saliva
en el silencio
sana


Y tener que entregarla
para que la palabra
la tome
dome
deforme
dé nombre
y parta
sola

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CLARÃO DA LUA

Poema de Marilda Confortin, música de Marco Guiraud, intérpretada por Ébano Guiraud)

O teu clarão entra pela janela
Invade as profundezas do meu coração
Que bate forte, feito bateria
Num concerto ao vivo, cheio de emoção

Me faz lembrar o tempo em que a vida
Era curar feridas feitas pelo amor
Em que habitavas todas as esquinas
Como lamparina a me fazer cantor

Mas que saudades da viola linda
Que te faz infinda como o céu e o mar
Das madrugadas, todas encharcadas
Com beijos de fadas, sempre a me amar

Das caminhadas pela noite adentro
Com tua presença a me acompanhar
Balet mais lindo, vinhas me seguindo
Um passo atrás do outro até quase alcançar

Estou sentindo aquela nostalgia
Parece magia, que me faz sair
Viola em punho, o sangue fervendo
Coração batendo, querendo explodir

Vem minha musa, sou teu seresteiro,
Vem, me toma inteiro, me faz recordar
Mais que amantes, éramos errantes
Sempre que o dia vinha nos matar

Mas que saudades, da viola linda
Que te faz infinda como o céu e o mar
Das madrugadas todas encharcadas
Com beijos de fadas, sempre a me amar

Minhas lembranças vão me absorvendo
E eu quase cedendo, acho que vou chorar
Não sei se vale, mas tô com vontade
De matar saudades de você, luar.

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Chutando o balde


Tudo bem... Aperte o pause.
Temporariamente tentarei fazer tua vontade.
Vestirei a máscara imposta pela sociedade hipócrita.
Serei submissa, rezarei conforme a missa.
Negarei minhas raízes,
pintarei o cabelo,
arrancarei os pelos,
seguirei teus rituais idiotas.
Tudo bem...
Serei tua Amélia: discreta, apática e quieta.
Vestirei roupa de carola e fingirei orgasmo, se isso te consola.
Assistirei novela, big brother e toda essa balela da televisão.
Mas tem uma condição:
Tens de admitir pública e religiosamente que admiras
essa criatura burra e negligente que me tornarei.
Que é comigo que queres ter filhos.
Herdeiros que, pela lógica,
seguirão nossos trilhos e serão medíocres,
babacas, vulgares, corruptos.
E nos darão netos e bisnetos estúpidos,
que se unirão a outros estrupícios de gente.
Até que, no futuro,
nossa geração decadente e burra
exploda o Planeta.
Topas?
- Topo.
Ta louco!
Meta essa coleira na primeira anta ignorante
que aparecer na tua frente.
Eu tô caindo fora.
E é agora!


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