O HOMEM QUE PRONOMINAVA

Crônicas brasileiras
Formato: 15x21
Páginas: 112
Maicon Tenfen
Escritor de Blumenau - SC
Valor: R$25,00
Peça este livro pelo e-mail: tenfenmaicon@gmail.com

Além dessa mania dos pronomes e da segunda pessoa do discurso, Telorêncio não perdia a oportunidade de flexionar os plurais com sua empáfia de fidalgo, nem mesmo quando se encontrava em algum boteco da periferia:
– Dá-me duas xicarazinhas de café, por obséquio.
– E dá-me também duas colherzinhas, sim?
– Que papo é esse, meu?
– Conceder-te-ia todas as explicações, meu bom jovem, se tempo houvesse. Mas tempo não há, e é pena. Preciso alimentar-me e ir-me logo daqui.
– Olha o respeito, rapá! Tá me estranhando, pô? Acha que eu tenho cara de boiola, é?
Certa vez foi assaltado na rua. Um moleque surrupiou sua carteira e saiu à toda. Desesperado, Telorêncio também começou a correr e a gritar:
– Peguem-no! Detenham-no! Impeçam-no de fugir!
Os verbos bem pronunciados e ainda por cima enclíticos deixaram o guardinha que passava em duvida sobre o que estava acontecendo. Riu em vez de deter o meliante.

 

Fragmento da crônica O Homem que Pronunciava